segunda-feira, março 19

Como eu gostava...


Uma das raras (duas ou três) fotografias onde estou eu com o meu Pai.

Tem mais de 50 anos esta imagem. Era o tempo em que eu brincava, como todos os outros miúdos da minha idade, nas ruas da Porcalhota, sem qualquer preocupação de horário, ou de andar mais ou menos longe de casa.
"Desse tempo, guardo uma lembrança pouco usual para a maior parte das pessoas - um assobio. Era o sinal de recolher, o fim das brincadeiras do dia, quando o meu pai chegava à esquina da rua e assobiava com força, duas ou três vezes. Até um ou dois quilómetros de casa, eu distinguia perfeitamente aquele som. Estava na hora de fazer a última jogada do bilas, meter o pião e o cordel no bolso, pegar na gancheta e no arco e correr azinhaga abaixo até à nossa rua."
Tão distantes - e tão poucas - as memórias do meu pai...
Sinto um nó na garganta. Gostava muito que os meus filhos tivessem conhecido o seu Avô. Mais ainda, gostava que o meu Pai tivesse conhecido os seus Netos.

3 Comentários:

Blogger Maria disse...

Ai querido Bicho, meu amigo, fizeste-me chorar, coisa que raramente faço.
Que foto linda! Pai e filho. Recordações boas do teu pai. Dizes que tens poucas memórias dele. Guarda-as bem. Lembra o seu assobio.
Fecha os olhos e imagina o assobio. Verás, que pouco a pouco, as memórias virão ter contigo.
Sê tu para o teu neto, o avô que pensas que o teu pai seria para os teus.
Eu fui mais feliz. O meu pai viveu 92 anos. Até os bisnetos o recordam
ainda. Adorava os netos e bisnetos.
Dez anos passaram e, esse nó que sentes, eu ainda o sinto, quando me recordo dele, quer dizer, várias vezes ao dia. Foi pai, amigo, mestre. No dia em que o perdi, perdi uma grande parte de mim.
Hoje, é dia dos pais, mas é dia dos anos do meu filho. Por isso, não falei nele no blogue. É contigo que estou a desabafar. Faz bem. Desata um pouco, o tal nó que nos aperta o pescoço.
Gostei muito do teu poste de hoje.
Mostrou um Bicho que poucos conhecem. Um ser sensível até ao exagero (como eu).
Espero que os teus filhos vejam a foto do avô. Acho que vão gostar.
Abraço do João e beijinhos da amiga
Maria

19/03/12, 18:23  
Blogger Kim disse...

Gigi
De facto, ele podia ter esperado mais um pouco. Não há nada como olhar nos olhos dum neto a continuação do nosso sangue.
Era um bom homem o teu pai, também Joaquim.

19/03/12, 23:51  
Blogger Luiz Henrique disse...

Luisão.

Felizes são as memórias que trazemos guardadas no peito e perpetuadas na memória.

Abração,

Luiz

28/03/12, 14:08  

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