quarta-feira, outubro 8

Palermices (6)


...também Eu, já pensei e disse para mim:
«Ó meu velho, não tens mesmo jeito para nada... dedica-te à pesca!»

Mas qual quê? Com esta CRISE... até as minhocas para isco são difíceis de arranjar.
E apesar de ser obrigatório pagar Licença, hoje em dia, é bastante complicado encontrar um sítio livre, a jeito para fazer um lançamento. Parece que está tudo ocupado.
Isto quer dizer que o número de pescadores tem vindo a aumentar?

Não senhor, antes pelo contrário, por causa da estúpida lei da Licença de Pesca, já muitos velhotes deixaram de passar as suas tardes em sossego na margem do Tejo, entretidos a "dar banho à minhoca". O valor da pensão, ou da reforma, não chega para tudo:

substituir o material (as linhas, os anzóis e as chumbadas) que se vai perdendo;
comprar as minhocas do lodo, para iscar;
e ainda, tirar a Licença?

Portanto, o que acontece agora, é que há muito menos pescadores do que antes, só que, cada um deles, em vez de ter 2 ou 3 canas de pesca, passou a tomar conta de 6 ou mais - as dele e as de um ou outro amigo que se mantêm por ali perto, a observar, assim como quem não quer a coisa. Não sei se estão a perceber...

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Belo exemplo do "Deserascanço" português.
Há muitos anos, o meu pai, tinha mania de ir pecar para o Cávado, perto de Vila do Conde. Nunca pescou nada. Houve um dia, porém, que apanhou um belo peixe. Estava ele a mostrar o belo exemplar aos amigos, apareceu um guarda-rios, que lhe pediu a licença. Como não a tinha, ficou sem a cana e pagou a respectiva multa.
Meteu-se no carro e, como de costume, traduziu em versos, aquilo que lhe acontecera:

Fui para o rio e pesquei
um peixe dos mais graúdos.
Mas veio um guarda e fiquei
Sem cana e quinhentos escudos.

Nesse tempo 500 paus, ainda era dinheiro e, ele não era rico. Aquilo que para os outros teria sido uma chatice, tornou-se para ele, mais uma história para contar aos amigos. Quem me dera saber dar a volta às coisas como ele dava.
Tudo lhe servia para brincar e nunca ficava muito tempo a pensar no que lhe era desagradável.
Maria

09/10/08, 08:52  

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