quinta-feira, dezembro 13

Antoniosem 1985



Há dias, num supermercado de material de construção (o Aki que agora se chama Merlin), encontrei o A.M.G. Filipe, um ex-companheiro de trabalho (informático) da RTP, cuja vida se cruzou algumas vezes noutro tempo com o Pessoal da Porcalhota.
O nosso amigo, ex-Director da Galeria de Arte da Casa do Pessoal da RTP, acompanhado pela sua velhota, dirigia um carrinho de compras carregado de tábuas, ripas, placas, poleias, pregos, parafusos, rolos de fio, lâmpadas, interruptores, braçadeiras, tintas de esmalte, tinta de água, diluentes, luvas, fitas adesivas, trinchas e rolo de pintar paredes, etc.
Estranhei o facto, pois o que eu esperava ver nas compras de um famoso artista plástico, Académico de Mérito da Academia de Artes e Letras de Pontzen, Nápoles, seriam telas, blocos A2 e A3 de papel cavalinho ou fabriano, tubos de tinta de óleo, de acrílico e guaches, pincéis de serdas finas, espátulas miniatura, etc.
Será que o meu amigo, membro Honorário da Fundación Abelló de Barcelona, também foi atingido pela crise e anda a fazer uns pescatos de carpintaria, pintura e reparações electricas ao domicilio?

Enquanto eu remoía estas ideias, ele viu-me e reconheu-me.
- "Pá, tás quase igual, só que... muito mais velho!" Estranhou ele, compondo (a expressão nº 29 do curso de expressão teatral da Barraca, 1974) - uma careta de espanto, depreciativa mas amigável.
- "Porreiro, meu. Ainda bem para mim. É sinal que já vivi bastante." Retorqui e acrescentei,
-
"Apesar disso, tenho mais cabelo que tu, a minha barba está menos branca que a tua e não estou tão bem anafadinho como tu?"
- "Então, mas ainda dormes com a mesma? Há quantos anos? Nunca mais mudaste de gaja?" Lá estava a farpazinha venenosa, do poeta amigo.
-
"Oh, pá, as saudades qu'eu tinha, destes nossos diálogos. Não me recordo de uma conversa assim tão intelectual, desde que deixei a vida artística.”
- “Pois, eu sei. Nunca mais foste a uma exposição. E eu tenho-te enviado sempre convite para as vernissages.” Reclamou ele (expressão nº 13 - coitado do pobre Calimero) e com razão.
- “E olha, vou-te avisar que vais receber em breve convite para nova exposição. Trata-se de uma pintora brasileira, que ainda não conheces – (tens que ir) é a minha namorada nova.” E então eu vi... aquele brilhozinho nos olhos! O gajo, continua a ser um
Grande Artista!!!

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3 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

"...nada sou porque alguma coisa fui."
Tá visto. Artista completo!
FOI?

13/12/07, 14:39  
Anonymous Anónimo disse...

O Filipe Gonçalves?
Esse gajo ainda é vivo? Com as tangas que ela arranjava, pensei que já não era António Sem, mas sim TÓ MIL.
Oh Bicho tens de lhe mostrar as tuas pinturas!

14/12/07, 00:13  
Anonymous Anónimo disse...

Kim, o Gonçalves Filipe continua na mesma - é uma espécie de Carlos Pinto, o lendário artista Internacional da Porcalhota.
Esqueci de dizer no Post que as tábuas e etc., que ele careegava eram para montar a ESCOLA DE ARTE que o nosso amigo (agora Professor) vai abrir em Rio de Mouro, sua terra natal.
Huuummmm, cheira-me a SUBSÍDIO... C.M.S.?

14/12/07, 09:41  

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