Procura-se emigrante Algarvio.
Pedido de um ilustre membro da Sociedade dos Poetas Advogados do Brasil:
«Estou a tentar descobrir a origem dos meus ancestrais parentes em Portugal. Nessa busca, encontrei uma Escola na cidade de Olhão que tem o nome de meu bisavô João da Rosa. Teria o "Pessoal da Porcalhota" algum leitor nessa cidade que pudesse fazer uma pesquisa sobre Jão da Rosa e enviar para o meu e-mail morja@intergate.com.br os seguinte dados:
- Se essa Pessoa emigrou para o Brasil e em que ano?
- Ou uma biografia do mesmo.
Ficaria grato pela ajuda, Mário Osny Rosa.»
Eis então o 1º resultado da pesquisa do Pessoal
Manuscritos de João da Rosa
Os franceses que dominaram Portugal, durantes as Invasões, instalaram uma guarnição em Olhão, que desagradou sobremaneira ao povo do lugar.
Segundo o escrivão do Compromisso Marítimo João da Rosa, durante a preparação para os festejos populares de S. António, ao arranjar o altar que o Compromisso tinha na igreja, destaparam as armas, símbolo da independência nacional.
"Este gesto provocou uma grande euforia e sede de liberdade, e no dia seguinte os populares levantaram a bandeira portuguesa acima sem temer o inimigo nem a mais nada senão a sua liberdade e serem fiéis ao nosso amado príncipe”.
O 16 de Junho de 1808
Foi então que, à hora da missa, o Coronel José Lopes de Sousa, arrancou da porta da igreja um edital dos franceses e depois um outro edital exposto na porta da cadeia. A guarnição francesa foi aprisionada e as bandeiras portuguesas içadas. “Todos unidos a uma voz e a uma vontade e dispostos a todos os perigos, os olhanenses prepararam-se para lutar e honrar o seu Portugal".
Sem medo das ameaças dos franceses, capturaram as tropas que vinham por mar junto da Barra Nova, e mais tarde interceptaram uma coluna inimiga junto da ponte de Quelfes que se dirigia a Faro por terra. Movidos pelo exemplo de heroísmo do povo olhanense, os povos de Faro e Tavira juntaram-se e expulsaram os franceses de uma vez por todas.
Escreve João da Rosa: "nestes dias todos que estivemos alevantados contra os franceses não vinha pão nem nada de fora da terra para este lugar e nos defendemos tanto fez de noite como de dia, todos nós pegados em armas das que havia sem ninguém descansar".
A viagem ao Brasil
Com a expulsão dos franceses, um grupo de olhanenses resolveu levar a boa nova ao rei D. João VI e sua corte, que se encontravam refugiados no Brasil. Os heróis partiram de Olhão em 6 de Julho de 1808 no Caíque “Bom Sucesso”, um pequeno barco
comandado pelo Mestre Manuel Martins Garrocho e pilotado por Manuel Oliveira Nobre, com os tripulantes, António da Cruz Charrão, António Pereira Gémeo, António dos Santos Palma, Domingos do Ó Borrego, Domingos de Sousa, Francisco Lourenço, João Domingos Lopes, João do Moinho, Joaquim do Ó, Joaquim Ribeiro, José da Cruz, José da Cruz Charrão, José Pires, Manuel de Oliveira e Pedro Nínil.Orientados apenas pelas estrelas, as correntes marítimas e um mapa rudimentar, viajaram cerca de dois meses e meio, em luta contra o mar, as más condições de habitabilidade, a fome e a sede e evitando a Armada Francesa e os piratas. Todos os 17 tripulantes cruzaram o Atlântico e voltaram a casa sãos e salvos, trazendo a boa nova, que o príncipe concedera ao antigo Lugar de Olhão o título honroso de Vila de Olhão da Restauração.