segunda-feira, dezembro 31

Ano Velho, Mundo Gasto

Havana2007

Há bocadinho, em Havana, dizia-me esta amiga:
- "Vamos despedir este este velho 2007, que está gasto, acabado."

E o que ela desejava para o novo ano, era somente:
- "Deixar de fumar Sete Habanos por dia e passar a fumar Oito!"

Felizmente, amigos, ainda há gente diferente, a dizer:
- "Está na hora de começar tudo de novo, com muita Esperança!"

E como? Olhem, pode ser, como diz o meu amigo Tó:
- "Malta, vamos a ele com toda à gana. Vamos fazê-lo num Oito!"

sábado, dezembro 22

Arquitecturas 54

Arq. CML
Olha! Cá está outra vez o Fiat 600.
Será o do Sr. Orlando?
Querem ver que o gajo, se fartou de ser chefe de Secção (do Pessoal) na Fábrica Nobre e Silva e veio pedir emprego aqui aos Laboratórios Vitória - naquele tempo (1961) sempre era uma indústria mais p'rá frente.

sexta-feira, dezembro 21

Fim de Semana 108


Este pôr-do-sol na Foz do Tejo, enseada de Caxias,
faz-me pensar naquelas Ilhas dos Piratas, que há muitos, muitos anos, dominavam o Mar das Caraíbas e a imaginação dos putos como eu. Eles tomavam de assalto as nossas brincadeiras de miúdos na rua, através da destemida abordagem das páginas ilustradas dos livros de Kodradinhos.

Aqui fica uma mensagem, PARA OS AMIGOS de todos os tempos, com desejos de TUDO DO MELHOR para antes, durante e depois dos BONS FINS DE SEMANA que restam em 2007.

Ou, como dantes soía dizer-se nas mensagens de Natal, dos tropas, desterrados na maldita guerra colonial,
"Os votos de um Bom Natal e Próspero Ano Novo! Pessoal, adeus e até ao meu regresso..."

E com esta, me vou, fazer ondas para outro lado. Exactamente para o Mar das Caraíbas, onde, segundo parece, não vou encontrar os piratas, pois soube de fonte segura, que os nossos governantes preferem o Brasil (ou Nova Iorque) para gastar os subsídios de Natal.

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quinta-feira, dezembro 20

Arquivos da Porcalhota (1913)


As comemorações do dia da Árvore e da Floresta iniciaram-se em Portugal há 100 anos.


Há registo de Festas da Arvore, em muitas cidades e vilas do país: Amadora, Alcáçovas, Alcobaça, Almodôvar, Alter-do-Chão, Barreiro, Fundão, Lourinhã, Lousã, Moita, Montemor, Peniche, Seixal, etc. desde 1907.
A Festa, era um movimento cultural e cívico de celebração e reconhecimento dos benefícios da árvore e da floresta, constando essencialmente da plantação de árvores em ambiente festivo e de discursos de propaganda a favor da árvore.

Na época, o panorama geral do país era de intensa desarborização devida ao excessivo consumo de madeira que alimentara o desenvolvimento industrial do século XIX. As serras do interior estavam profundamente erodidas e para reter as terras, era necessário replantar os carvalhos e castanheiros. No litoral havia que secar os pântanos e fixar as dunas, através da arborização.

A Liga Nacional de Instrução, sob a presidência de Bernardino Machado, foi a dinamizadora das festas, até 1912.
Com vista à “propagação, defesa e culto da árvore”, foi criada em 1914 a Associação Protectora da Árvore, que promoveu a defesa das árvores monumentais e ancestrais e apoiou a Festa da Árvore.

O Congresso da República decreta, em 16 de Março de 1914, a Lei n° 118, em cujo Artigo 1º se reconhecem como instituições de utilidade pública:

• a Associação Protectora da Arvore
• a Sociedade Protectora dos Animais.


Finalmente, a cultura política do Estado Novo, deu cabo da festa, (+/- proibida) de 1917 até 1970.

quarta-feira, dezembro 19

ALERTA LARANJA

Arq. CML

Os tele-jornalistas, dão um destaque de notícia sensacional, a um aviso (completamente inútil) dos Serviços de Protecção Civil, que chama a atenção (alerta) para as condições atmosféricas que se prevê venham a afectar o território de Portugal continental nos próximos dias.

A Protecção Civil aconselha - "Cuidado, a temperatura vai descer, vai fazer frio, vai chover, vamos ter ventania - agasalhem-se bem, usem roupas quentes, fechem bem as portas e as janelas!"

Ora porra, para toda aquela cambada de "não-sei-quês" que ocupam uns gabinetes "ultra-especiais", junto dos (20 e tal) Governadores Civis deste país; aquelas "super-autoridades" que se deslocam nos Jipes da Protecção Civil, aos locais de incêndios, cheias e outros desatres, para coordenar o trabalho dos Bombeiros.

Pois afinal, esses "especialistas-da-treta", servem para quê. Para dar a entender que somos todos (o povinho) uma data de ignorantes e estúpidos? Querem fazer da gente burros? Ah, não. O BURRO, AQUI, É O SCOLARI! Disse ele, e não precisou de nenhum "entendido" da Protecção Civil para concluir isso.

Então, aqui o pessoal, já não está farto de saber que estamos em Dezembro? E que no Hemisfério Norte o Inverno é agora. Então, o BURRO é o Scolari? Chega de burrice. Ainda se fosse no mês de Agosto... ou se já tivessemos todos emigrado para o Brasil, para deixar aqui mais espaço aos imigrantes que estão chegando... vá lá.

Mesmo a calhar, encontrei no Arq. da CML, esta imagem de 1912, quando ainda não havia ALERTAS AMARELOS E LARANJAS DA PROTECÇÃO CIVIL.
Vejam só o estado lastimoso em que ficaram as instalações do Aeroporto da Porcalhota(*) e os destroços das Aeronaves que lá estacionavam, depois da passagem de um Ciclone pela Amadora.

(*)
Acho que foi por isto, que não foi considerada nos estudos encomendados pelo Governo, esta localização como alternativa para o novo Aeroporto "Portela-Mais-Um".

terça-feira, dezembro 18

Outros Artistas (35)


Manuel Reis,
oitenta e muitos anos de vida na Porcalhota, actor, improvisador, expontâneo, autor e intérprete de teatro declamado, de revista e variedades. Tem muito para contar, o Ti Manecas, sobre a(s) Sociedade(s) da Porcalhota, nas décadas de 40, 50 e 60 do século passado.
Operário, desde muito novo, especializado na manutenção das máquinas da Fábrica de Malhas Simões (ao lado da primeira Sede do Benfica), participou activamente em muitas decisões e Direcções da SFRAA.
Mas, é preciso apanhá-lo bem disposto e ter um gravador a jeito, porque é complicado orientar a conversa no sentido que nos interessa - é preciso paciência, há que ir um bocado na onda e escutar.
Na última reunião que tivemos, ele implantou na minha memória três coisas, que ficarão a germinar até o próximo encontro, no qual penso obter mais esclerecimentos e pormenores.


  1. Ele é o único dono (legítimo proprietário) de uma parte da Sociedade Filarmónica. Só ele, possui um Título de Accionista da SFRAA. Há muitos, muitos anos (quantos?) foram emitidas e vendidas (quantas?) Acções da Sociedade Filarmónica, com o objectivo de angariar fundos para construir (ou reconstruir) a Sede. O Ti Manecas comprou então um Título (valor?) que guardou para sempre. Quando, alguns anos mais tarde, outra direcção da colectividade levou a cabo a retoma dos Títulos, reembolsando os accionistas, ele estava fora e acabou por conservar o Título - qual será o valor hoje?


  2. Outra história para investigar e desenvolver - "A FESTA DA ÁRVORE". Naquele tempo, sabe-se que era proibido festejar o Primeiro de Maio, em Portugal. Então a Sociedade Filarmónica organizava um grande bailarico e pic-nic, nos campos do sopé da Serra do Marco - hoje Bairro do Texas - no local onde existia um grande Pinheiro, que foi derrubado durante um ciclone que flagelou a Amadora e arredores. A festa tinha lugar sempre no Primeiro (Domingo) de Maio.


  3. E aquele leilão (ou venda de rifas) de um automóvel, cujo lucro iria beneficiar algumas obras sociais da colectividade. Pois, aconteceu que, em vez de ficar isento de impostos, contrariamente ao que seria de esperar, esta venda de caridade, acabou por vir a ser taxada com os encargos máximos (da Autarquia ou do Governo?) porque se desconfiava então que parte dos Sócios ou da Direcção da SFRAA, teria ideias demasiado avançadas para a época. Rumores que chegaram aos ouvidos da autoridade, diziam que aquilo era um ninho de revolucionários. Quiçá, de Comunistas!!!

Pergunto:
os amigos, do PP e da SFASRAA, terão alguma coisa a dizer sobre isto?

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segunda-feira, dezembro 17

Arquitecturas 53

Arq. CML

A Fábrica de Plásticos Nobre e Silva,
na zona industrial, limites da Porcalhota e Venda-Nova.
Aqui dentro, trabalhavam muitos amigos ou familiares dos amigos do Pessoal da Porcalhota.
Houve um rapaz, conterrâneo do Alexandre da Tasca da Pedro Franco, que por lá deixou ficar dois dedos de uma mão, para sempre incorporados numa peça de Baquelite que estava a sair da prensa que ele operava.

domingo, dezembro 16

Oitenta e tal


A Maria da Luz está de regresso a Portugal.
Ela vem de longe, do outro lado do mar, mas (ainda) não vem para ficar.
Vem, como é hábito, por duas semanas apenas, para saborear os pequenos grandes prazeres da vida - os melhores momentos de um ano inteiro - junto com a família mais chegada.
Eu e o meu pessoal cá de casa, temos a felicidade de fazer parte desse grupo, que ontem se reuniu para comemorar mais um aniversário (oitenta e tantos) da Maria da Luz.
Aqui, na imagem, a ajudar à festa, está o irmão, Manuel Reis, um grande Artista da Porcalhota que já conta muito mais do que oitenta e tantos - ele quase que nasceu com a SFRAA - e tem muitas histórias para contar.

sábado, dezembro 15

Bom Dia 4


(Posto da GNR da Porcalhota)

Tivemos em Portugal um casal de ladrões, assassinos e apaixonados - Diogo Alves e a Parreirinha, ao melhor estilo de Bonie & Clide, só que 100 anos antes.

Diogo, emigrante Galego em Lisboa, onde durante pouco tempo, viveu mais ou menos honradamente até que a ambição e as más companhias do costume, fizeram do jovem cordeiro, um lobo sanguinário e voraz.
Um dia, conheceu na Porcalhota, aquela que foi o seu único e verdadeiro afecto - a Parreirinha, que era mais velha do que ele, e mãe de dois filhos. Por sua vez, ela, que nem dos filhos gostou, encontrou nele a sua alma gémea. Viveram durante algum tempo na Porcalhota, onde ela era taberneira, mas era em Lisboa que actuavam.

Uma vez, alugaram um andar, por cima de uma capelista de quem a Parreirinha se fez muito amiga. Certa noite, depois de terem aberto um buraco, por cima da cama da mulher, manietaram-na, amordaçaram-na, e por fim, aliviaram-na do muito oiro e dinheiro, que ela tinha em casa, fugindo de seguida para o seu tugúrio na Porcalhota.
Entretanto, Diogo arranjou (ao que dizem uma chave falsa) maneira de entrar no Aqueduto das Águas Livres, o qual passou a servir de esconderijo e local para emboscadas a lavadeiras e camponeses de Caneças e caixeiros viajantes que utilizavam o passadiço superior do Aqueduto para fazer a travessia do vale de Alcântara, directamente do Monsanto para Campolide.

Lá em cima, junto do arco mais alto, como que vindo do céu, surgia de sopetão Diogo Alves, que depois de retirar tudo quanto os desgraçados viajantes traziam de valor, os mandava direitinhos para o inferno, em voo picado cá para baixo. Depois, calmamente, acoitado o producto do roubo, tinha o desplante de descer abaixo ao vale para apreciar o estado em que ficavam as suas vítimas (verificar se estavam bem mortos?), chegando a comentar para os curiosos que rodeavam a cena – “que pena haver tanta gente a escolher aquele lugar para pôr termo à vida”. A coisa, repetiu-se tantas vezes, que as autoridades mandaram encerrar o passadiço do aqueduto, a fim de refrear a estranha onda de suicídios.

Mas, descobriu-se tudo e como tudo tem um fim, certo dia, por causa de um golpe que correu mal, o facínora foi apanhado, preso, julgado e condenado à forca.
Dizem que quando o enforcaram, em 1841, ele já estava morto. Aquele duro coração, não resistiu ao medo da morte - foi afinal um cobarde.
Os cientistas médicos da época, mandaram cortar-lhe a cabeça para a estudar - queriam saber em que parte do cérebro do bandido, se escondia tanta maldade.!?
Ainda hoje se pode ver, no museu, conservada num frasco de formol.


E ela? Condenada ao degredo perpétuo em África, por lá terá morrido.
Ao contrário dos outros casais famosos no mundo do crime, no estrangeiro, estes dois pombinhos da marginalidade, não morreram juntos como seria de esperar.
Justificando de certa forma, o que disse Júlio Dantas:
Oh, como é diferente o amor em Portugal”. E a justiça também, digo eu(*).

(*) Eu, a Maga - que compôs esta narrativa para pubblicar aqui no PP.

sexta-feira, dezembro 14

Fim de Semana 107


"The Twilight Zone".

É o que me faz lembrar, esta imagem de fim de dia entre a Praia das Maçãs e as Azenhas do Mar.
Começou a contagem decrescente para a minha viagem através do Triângulo das Bermudas, em busca da Atlântida.
BOM FIM DE SEMANA, Ó PESSOAL!

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a Bicicleta


No largo da Parreirinha - confluência da R. Elias Garcia com a Est. dos Salgados.
A porta com postigos, deste pardieiro, era a entrada do armazem da mercearia da minha sogra.
  • Sacas, com batatas, cebolas; grão; feijão (branco, catarino, manteiga, encarnado, frade), açúcar e milho também.
  • Caixotes, com barras de sabão (amarelo ou azul e branco), sabonetes (o Lux, o Palmolive) mais finos e bem cheirosos.
  • Garrrafões, os da lixívia, do óleo e os grandes garrafões do azeite, próprios para reabastecer o depósito da geringonça mais interessante que havia na mercearia, a Medidora de Balcão (AVERY, creio eu, era a marca, aferida periodicamente pelos fiscais da Câmara Municipal) que também se utilizavam na drogaria e no carvoeiro, para medir petróleos e líquidos afins, que podiam ser vendidos à medida das necessidades do freguês.
  • Fardos, duas ou três vezes por ano, havia Fardos de Bacalhau. Sim, fardos, digo bem, peixes salgados inteiros, espalmados, atados em molhos com cordas de sisal. Era assim que o Fiel Amigo, chegava ao armazém. Depois, na venda ao público, era cortado às postas, à vontade do freguês, com aquele facalhão de meio metro (a Faca do Bacalhau), fixado à pedra do balcão da mercearia, numa engrenagem, espécie de guilhotina, fatal para a real família do Gadus Morua.
  • Latas e latões, com o tradicional Atum de Barrica, atum fresco conservado em água e sal, para vender ao peso; e mais conhecido que eu sei lá - Bacalhau Remolhado - o bacalhau já cortado em postas, mergulhadas em água, para expôr, à porta da mercearia, dentro de um alguidar, que as donas de casa das famílias menos abastadas, podiam comprar à posta, ou seja à medida das suas posses (ou necessidades) já prontinho a cozinhar.

A janela, estilo montra, virada para a Elias Garcia, era o poiso preferido do meu sogro, quando entretido nos pescates de sapateiro, a sua antiga profissão, antes de migrar de Aljustrel para a Porcalhota. Aqui, já só tratava do calçado da família, de algum compincha de copos, mais necessitado, ou de uma ou outra vizinha com mais jeitinho para pedir favores.
Era o "hobbie" do TiZé, nos intervalos da distribuição de compras ao domicílio e das paragens na tasquinha para reabastecer de combustível (sempre do tinto) a bicileta pasteleira.
Ahhh, a Bicicleta!!!
Era aquilo que me levava a gastar algumas horas do meu tempo livre, encafuado no armazém, apreciando o trabalho de remendeiro do TiZé da Mercearia. Era o tempo de arranjar coragem e à-vontade suficientes para lhe pedir emprestada a bicicleta, para ir dar uma voltinha pela Estrada dos Salgados.
Pois, no princípio, era a Bicicleta.
Alguns anos depois, o objectivo passou a ser: a Bicicleta e a Marieta, a filha do meu sogro.
Depois... bem, foi o que já se sabe. Hoje, já só me interessa novamente a Bicicleta!!!

quinta-feira, dezembro 13

Antoniosem 1985



Há dias, num supermercado de material de construção (o Aki que agora se chama Merlin), encontrei o A.M.G. Filipe, um ex-companheiro de trabalho (informático) da RTP, cuja vida se cruzou algumas vezes noutro tempo com o Pessoal da Porcalhota.
O nosso amigo, ex-Director da Galeria de Arte da Casa do Pessoal da RTP, acompanhado pela sua velhota, dirigia um carrinho de compras carregado de tábuas, ripas, placas, poleias, pregos, parafusos, rolos de fio, lâmpadas, interruptores, braçadeiras, tintas de esmalte, tinta de água, diluentes, luvas, fitas adesivas, trinchas e rolo de pintar paredes, etc.
Estranhei o facto, pois o que eu esperava ver nas compras de um famoso artista plástico, Académico de Mérito da Academia de Artes e Letras de Pontzen, Nápoles, seriam telas, blocos A2 e A3 de papel cavalinho ou fabriano, tubos de tinta de óleo, de acrílico e guaches, pincéis de serdas finas, espátulas miniatura, etc.
Será que o meu amigo, membro Honorário da Fundación Abelló de Barcelona, também foi atingido pela crise e anda a fazer uns pescatos de carpintaria, pintura e reparações electricas ao domicilio?

Enquanto eu remoía estas ideias, ele viu-me e reconheu-me.
- "Pá, tás quase igual, só que... muito mais velho!" Estranhou ele, compondo (a expressão nº 29 do curso de expressão teatral da Barraca, 1974) - uma careta de espanto, depreciativa mas amigável.
- "Porreiro, meu. Ainda bem para mim. É sinal que já vivi bastante." Retorqui e acrescentei,
-
"Apesar disso, tenho mais cabelo que tu, a minha barba está menos branca que a tua e não estou tão bem anafadinho como tu?"
- "Então, mas ainda dormes com a mesma? Há quantos anos? Nunca mais mudaste de gaja?" Lá estava a farpazinha venenosa, do poeta amigo.
-
"Oh, pá, as saudades qu'eu tinha, destes nossos diálogos. Não me recordo de uma conversa assim tão intelectual, desde que deixei a vida artística.”
- “Pois, eu sei. Nunca mais foste a uma exposição. E eu tenho-te enviado sempre convite para as vernissages.” Reclamou ele (expressão nº 13 - coitado do pobre Calimero) e com razão.
- “E olha, vou-te avisar que vais receber em breve convite para nova exposição. Trata-se de uma pintora brasileira, que ainda não conheces – (tens que ir) é a minha namorada nova.” E então eu vi... aquele brilhozinho nos olhos! O gajo, continua a ser um
Grande Artista!!!

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quarta-feira, dezembro 12

Arquivos da Porcalhota (sixties)

Arq CML
Na Rua Elias Garcia,
muito mais haveria (se a gente soubesse) para contar, acerca de cada uma destas casas, portas e janelas, bem conhecidas do Pessoal da Porcalhota.

A começar da esquerda;

  • as 3 primeiras portas eram do centro comercial do Avô do Rui Amaral;
  • 4 entrada para a habitação da mesma família, no 1º andar;
  • 5 e 6, a loja de artigos electricos do Pai do Alberto, o Fernando Ferreira;
  • 7 entrada para casa da Avó do Henedino, a Tia Escolástica;
  • 8 e 8A, a casa do terror, onde eu era periodicamente torturado com o corte de cabelo - "à inglesa curta" recomendava o meu Pai, ao sacana do aprendiz de barbeiro, o Motaco;
  • 9 e 9A, a loja da Mãe da Milú, a capelista e apanhadeira de malhas;
  • 10 e mais, as portas da nossa Sociedade Filarmónica.
  • e a Lambreta? Quem seria o dono da Lambreta? Seria o Pai do Alberto? Não. Então o que é que estaria por ali a fazer o dono da Lambreta? Seria um cliente do Pai do Alberto?

terça-feira, dezembro 11

Ditadura


mais um dia em cima de mais um ano
mais um almoço de aniversários natalícios vários
quando damos por isso, é já noite, outra vez
regresso a casa, no meio de um trânsito infernal

é cada vez mais difícil a condução - mais faixas, é preciso mais faixas, uma para andar menos devagar, uma para andar menos depressa, uma para andar mais devagar, outra para quem não tem pressa, uma para os nabos, outra para os gordos e já agora, uma para mim e outra para a minha vizinha...
devia haver uma só para bicicletas e trotinetas e... mais faixas para quê? O que faz falta é mais estradas - alternativas, pois está provado que "O melhor caminho é sempre o outro, aquele onde a gente não está!"
entretanto, à nossa frente, o caminho está apinhado de AUTOMÓVEIS PARADOS. Enquanto isso, todos os motores se mantêm em movimento, continuam a rodar, sempre prontos a fazer avançar os seus donos
mas esses, os veículos não se movem, que FRUSTRAÇÃO, não conseguem, não podem cumprir o objectivo que lhes foi atribuído à nascença, a sua razão de ser, o que pode justificar a sua existência - "transportar pessoas e/ou carga de um lugar para outro" - MISSÃO IMPOSSÍVEL.
entretanto os motores prosseguem no seu trabalho INÚTIL, desperdiçando montes de energia potencial, consumido combustível, produzindo calor que não faz falta para aquecer ninguém - que FRUSTRAÇÃO, os motores a trabalhar pró boneco! Não os deixam cumprir o seu objectivo principal - aquilo para que foram tão bem desenhados - "fazer deslocar um automóvel sobre rodas" - MISSÃO IMPOSSÍVEL.
Tanta potência contida, reprimida - REPRESSÃO - dentro de um motor de combustão.
E contudo, eles estão parados...

FRUSTRAÇÃO + REPRESSÃO = DITADURA => REVOLTA

"AUTOMÓVEL - A PIOR INVENÇÃO DO SÉCULO XX"

segunda-feira, dezembro 10

os Direitos dos Outros



Leão Esquerda - "Não há direito. Malandro!"
Leão Direita - "Olha p'ra ele, a torturar o nosso irmão, com cócegas."
Leão Costas - "Não aguento ver isto."
LE - "Aquilo não é coisa que se faça a um Leão."
LD - "Se não fosse cá por coisas..."
LC - "... se não fosse hoje o 59º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem."
LE - "... saltávamos já para cima do gajo!"
LD - "Felizmente, para o Homem, nós somos animais, mas respeitamos as deliberações da ONU."
LE - "Já o mesmo não se pode dizer da maioria dos humanos."
LD - "É vulgar o Homem mostrar nenhum respeito pelos Direitos do Animal."
LC - "Eh. Caguem nisso..."

domingo, dezembro 9

Prova dos 9


Basta saber a Tabuada do Nove,

para conseguir resolver, mesmo de olhos fechados, alguns cálculos espectacularmente complicados, como por exemplo,

  • Calcular: 12 345 679 a multiplicar por 36 (Nove Quatros)
  • Fácil o resultado é: 444 444 444

  • Ou, quanto é: 777 777 777 (Nove Setes) a dividir por 12 345 679.
  • Simples: (7+7+7+7+7+7+7+7+7) = 9 x 7 = 63

() a partr desta regra, podem criar-se outras habilidades.

sábado, dezembro 8

Bom Dia 3

Arq. CML
Belo dia para um passeio.
Sábado de manhã, é sempre o melhor momento de toda a semana. É aquela altura em que a gente está a tempo de tomar uma decisão - ficar ou sair - para fazer alguma coisa, ou não tomar mesmo nada e deixar-se pacificamente levar no movimento lento do tapete rolante do tempo.
Normalmente, há 52 momentos destes por ano. Graças aos céus - ao movimento dos planetas em redor do Sol. Pois, isso é hoje, é agora:

Esquecemos, por umas horas, as merdas do nosso dia-a-dia.
Viajamos até 1904, para apreciar uma patuscada na companhia destes velhos amigos da Porcalhota, que já se voltam para a fotografia, aqui no Retiro do Caliça.
Para lá chegar, seguimos sem receios, todo o piso de terra batida da Estrada dos Salgados, na componente urbana, desde o largo da Parreirinha, até às últimas casas do Bairro das Cruzes e do Casal.
Daqui em diante, o percurso de campo da Estrada dos Salgados, era caminho próprio só para homens. Depois de atravessar os bem amanhados campos de cultivo experimental da Quinta do Estado, sobe ligeiramente e bifurca.


Para a direita, chega a Benfica, cruzando o macadam da ... continua

sexta-feira, dezembro 7

Fim de Semana 106


O sol e o ceu azul irão vingar, sobre estas nuvens, talvez amanhã, porque é Sábado.
Também eu, estou finalmente a levantar-me da cama e sair da névoa, em que estive perdido quase toda a semana.

O médico diz que, isto vai... só mais uns dias de comprimidos, charope e muita água.
Se bem me lembro, (desde que há registos estatíticos, os meus, não os do INE) a minha frágil saúde, agrava-se sempre em Dezembro.
Talvez por me lembrar que este foi o meu mês de Natal há 69 anos - o princípio do fim.
otivos, (entre outros exteriores) que me levam a não partilhar da grande euforia que invade quase todo o mundo, nesta época.
Mas, ainda faltam alguns dias eu desligar, por isso, ainda posso dizer

BOM FIM DE SEMANA!

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quinta-feira, dezembro 6

Mais Pichas


A pedido de várias famílias, eis finalmente, a imagem mais adequada para um dia como o de hoje, quinta-feira.

Encontrei-a num e-mail da nossa Maria.
Portanto é uma genuina imagem das Caldas da Rainha.
Só que estes mamarrachos, vêm do país dos Samurais, quem diria.

segunda-feira, dezembro 3

PICHAS pra todos


Em Pedrógão Grande,
nasceu há muito a ALDEIA DA PICHA, que não fica muito longe da VENDA DA GAITA.

Em Bruxelas,
nasceu em 1942 o PICHA mais conhecido do mundo do cinema (Jean-Paul Walravens) - realizador do filme "Tarzoon, a vergonha da selva".

Entre Marte e Júpiter,
nasceu em 1997 o PICHA - foi a Lenka (astrónoma russa) que "deu à luz" da ciência o asteroide nº 12051 da cintura principal do sistema Solar.

Em Lisboa,
nasceu 1992 o JARDIM DAS PICHAS MURCHAS, em plena Alfama - quem diria, plantaram três árvores no recanto duma viela, e chamaram-lhe uma coisa dessas - JARDIM???!!!

O resto do nome, até está bem visto, pois este era o recanto preferido pelo pessoal das vidas, para aliviar a bexiga, depois de uma noitada de copos.
Encostados à parede, para não tombar, quando inclinavam a cabeça para procurar a coisa, que fruto da cerveja e da bebedeira estava mais para baixo do que para cima, dentro da berguilha, dificultando e muito a satisfação do saudável costume - "quando mija um português, mijam logo, dois ou três"!

domingo, dezembro 2

Bons costumes

Arq. CML

Duelo à pistola no Monsanto.
Primavera de 1909, o juiz (conde de Penha Garcia) e os quatro padrinhos (conselheiros do reino), preparam as pistolas para os dois ilustres (e honrados) deputados da nação (Afonso de Espregueira e Caeiro da Mata), travarem um duelo (proibido por lei), na tentativa de resolver, de uma vez por todas, as insanáveis querelas parlamentares entre ambos.
Ora digam lá se não era "porreiro", reactivar estas boas práticas parlamentares?
Estão a imaginar ir ali ao Parque do Monsanto ver o Santana Lopes a fazer pontaria ao Gerónimo de Sousa, ou o Francisco Louçã a praticar tiro ao alvo no Paulo Portas?
Isso é que havia de ser um verdadeiro espectáculo. Então e se fosse transmitido, em estilo novela da vida real, em directo pela televisisão...
Grande azar seria, eles terem uma pontaria tão má como a dos seus antecessores de 1909, que escaparam perfeitamente ilesos da contenda.

sábado, dezembro 1

Bom Dia 2


E o dia começou com,
o maior espectáculo do mundo, junto à foz do Trancão, na tenda do Circo Cardinali, cuja companhia, este ano, não achei lá muito boa.
Ou, o circo já não é o que era, ou eu começo a estar farto do que já é tradição, para mim a 37ª Festa de Natal da criançada do pessoal da RTP. Mas os miúdos gostaram - é o que importa.
..


E para final do dia,
prosseguindo na nossa onda culturali, vamos até ao Bairro Alto, assistir a um Concerto com música de Bach e Haendel, na Igreja de São Roque.

A acústica no interior da igreja favoreceu a interpretação da Orquestra Jovens Músicos e ampliou as vozes do Coro de Câmara Lisboa Cantat e dos solistas.
Aqui, foi a vez do meu miúdo dizer - "não achei lá muito boa".